CAPITULO 1 PORCO
ASTRONAUTA
O dia brilhava
novamente, o sol iluminava um pequeno espaço deixando todas as crianças em
extrema alegria. Quando digo todas, não quero dizer exatamente todas estas
crianças, em um pequeno espaço de terra onde a plantação era mais bonita e o
sol brilhava mais, havia os gêmeos, não idênticos como deve ter pensado quando
disse isso, mas sim uma garota e um garoto. Alexia é a gêmea de cabelos negros
e olhos gigantes, gostava de desenhar arco íris e os desenhos mais coloridos possíveis
enquanto Leo, o gêmeo de cabelos negros e curtos com um sorriso estampado de
orelha para orelha apenas pensava em histórias de dragões e cavaleiros (e como
no final os dragões e cavaleiros deixavam a princesa de lado e iam brincar de
pega-pega, afinal Leo não era capaz de imaginar nenhuma história romântica,
isso o enojava). Mas naquela tarde específica eles não estavam sorrindo, o dia
estava totalmente entediante e eles não viam um velho amigo deles faz tempo, o
senhor porco. Senhor porco não passava de um porco falante ao qual passava o
dia inteiro vagando por ai e normalmente as raras vezes que aparecia trazia
balas e passava um tempo conversando, mas naquele dia em especial, a ausência
do senhor porco os incomodava.
Alexia foi a primeira
a notar as luzes coloridas que tomaram o céu azul, Leo notou logo depois quando
ela apertou seu braço com toda força em um beliscão. Azul, vermelho, amarelo,
verde, laranja, rosa... depois de um tempo eles não conseguiam dizer quantas
cores estavam brilhando em um arco íris sem uma única direção, misturado e
batido em um céu azul que jamais se tornou cinza em um verão que seja. Eles
sorriram os dois ao mesmo tempo e gritaram em coro:
- Senhor Porco...
Ele desceu em um furacão de cores direto ao chão, pousando
em delicadeza em meio a toda aquela maravilhosa bagunça:
- Oh, Leo e Alexia, os humanos ao qual detesto menos...
- Por que esteve todo este tempo tão longe ? – Disse Leo
fazendo careta. – Estávamos com saudade...
- Eu também estive senhor e... senhorzinha ?
- Senhorita... – Alexia o corrigiu rindo. – Se diz
senhorita...
- Sim, claro, tanto faz... Hoje vim encontrar vocês por um
motivo a mais...
- Que motivo ? – Os dois disseram, seus olhos chegaram a
brilhar, e repetiram juntos novamente. – Continue...
- Oh, agora sei por que não tem muitos amigos, nenhuma
criança suportaria por tanto tempo esta mania de gêmeos de completarem frases
um dos outros e falar a mesma coisa ao mesmo tempo... Mas bem, vocês conhecem
meu trabalho ?
- Não... – Leo disse. – Que trabalho, você combate dragões ?
Luta contra ninjas ? Salva a terra todos
os dias ?
- Para de ser burro Leo... – Interrompeu Alexia. – Está mais
do que óbvio que ele salva princesas, vai a festas chiques...
- Os dois estão certos, eu faço de tudo um pouco...
- Que incrível... – Os dois falaram ao mesmo tempo, olhando
irritado uns aos outros, enquanto Senhor Porco revirava os olhos, Leo
continuou. – Explique melhor...
- Vocês não conseguem nem imaginar o quanto de dimensões e
planetas existem fora desse planetinha aqui, mas no planeta Lame Ocropo ao qual eu nasci e cresci existe
um lugar onde foram reunidos os melhores heróis do universo, desde dragões a
gatos, de cães a porcos, como eu. Esta organização se chama: Proteção Universal
Material, que chamamos de P.U.M. O
objetivo é manter a salvo todo o universo e todas as dimensões dos maiores
inimigos do universo...
- Isto é fantástico demais... – Disse Alexia sorrindo. –
Fantástico demais para ser real...
- Senhorzinha... – “Senhorita” disse Alexia corrigindo o
porco. – Sabe, quanto melhor o herói da P.U.M, mais missões eles recebe, e eu
sou um ótimo herói, tenho uma missão hoje, queria apenas descansar...
- Pode descansar na fazenda do meu pai... – Disse Leo o
interrompendo. – Lá tem muitos porcos e ele não vai ligar, é só um dia mesmo...
- É... – Disse Alexia logo pensando. – Mas e a missão ?
- Eu em um milésimo de segundo pensei, vocês poderiam viajar
pelo espaço vencendo os inimigos, em uma aventura épica que vocês lembrariam
pelo resto de suas vidas, fazendo vocês se sentirem alguém no mundo e não
pessoas que seu maior feito foi dar descarga depois de usar o banheiro... –
Seus olhos brilharam como se pedissem por aquela aventura. – Mas depois cai na
real e vi que vocês acabariam não apenas ferrando com a P.U.M como também
morreriam agonizando e sofrendo por toda a eternidade...
- Não, por favor...
- É, nos dê essa chance...
O porco olhou para
aqueles olhos sonhadores e pensou melhor, o que eles iriam fazer em uma dia não
é ? Mesmo se morressem iria ser menos pessoas para o irritar, então ele
decidiu...
- Me levem para meus aposentos e lá mostrarei a missão do
dia...
Juntos vagaram para
um chiqueiro onde ele logo tratou se sujar de lama junto aos outros porcos que
dividiam o espaço.
- Hum, formidável...
- Quanto a missão ? – Leo cobrou dele, enquanto completava.
– A lama pela missão...
- Oh sim... – Ele cuspiu algo que parecia uma varinha mágica
com dois botões, um vermelho e outro rosa choque. – Apertem o vermelho pra ir até sua missão e o rosa choque para
voltarem de onde vocês apertaram o vermelho...
Eles apertaram e enquanto desapareciam aos poucos ele disse:
- Só lembrando que a missão do dia é vencer um dragão verde
estilo mamãe me ache na neve, ele cospe lava e com uma mordida pode estraçalhar
seus crânios, então não há duvidas que vocês vão morrer, tchauzinho senhorzinho
e senhorzinha...
A última coisa que eles viram foi o sorriso do porco,
enquanto Leo e Alexia estavam completamente assustados. Quando chegaram lá onde
deviam flutuavam sobre o espaço totalmente negro e escuro, se não vários
meteoros e planetas que os cercavam, e luzes tão distantes ao qual só chegariam
dentro de um milhão de anos e talvez mais alguns dias. Leo disse:
- Aquele porco é um maníaco...
- Mas que merda...
Leo olhou feio pra ela e disse:
- Garotas não deveriam xingar...
- Que machismo de sua parte, tudo bem, então que cocozinho
fedido...
- Bem melhor...
Eles olharam o além que os cercavam, meteoros passavam
rapidamente por eles que mal enxergavam, e planetas não eram redondos, e sim
mal feitos como se um computador estivesse dando problemas, cores estranhas
como verde, rosa, preto, vermelho e cor salmão, sem dúvida eles estavam muito
longe da terra. Uma dúvida estranha surgiu na cabeça de Alexia como um torpedo:
- Se estamos no espaço, como conseguimos falar e respirar
normalmente ?
- Bem... – Leo tentou inventar uma desculpa. – Nada aqui faz
sentido, você se pergunta isso logo depois de um porco FALANTE mandar a gente
pra morte ?
- Tem razão... – Ela disse como se tivesse recebido um golpe
no estômago. – Mas temos de achar esse dragão, como vamos achar ele ?
- Serve aquele ? – Leo disse apontando para um dragão ao
longe que brilhava uma cor verde limão, ele ia ao longe enquanto um urso panda
peludo lutava com ele, arrancando sangue que espirrava e flutuava pela
eternidade. – Temos de o ajudar...
- A gente vai morrer...
- Mas viemos aqui pra salvar o universo...
- A gente vai morrer agonizando...
- Seja mais corajosa...
- Em uma dor eterna...
- Você vai na frente...
Então deram as mãos
uns aos outros e foram incrivelmente lento até o dragão, como estavam flutuando
demoraram pra pegar o jeito, até chegar ao urso panda que lutava com unhas,
garras, dentes e a fofura. Eles perguntaram:
- Podemos ajudar ?
- Claro... – Ele respondeu retirando uma simples arma de
destruição em massa e imobilizadora de dragões do meio dos pelos de suas
costas. – Façam o seguinte, atirem no dragão até ele morrer agonizando enquanto
eu vou lá fazer um lanche...
Eles ficaram lá segurando sem saber como usar, quando Alexia
ousou fazer um movimento para perguntar ele já estava longe. Enquanto o dragão
avançava para cima deles Leo teve uma dúvida, se ele não agisse seria a última
dúvida de sua vida, juntando todo o ar de sua garganta, pulmão, cérebro e da
arma que segurava ele perguntou:
- O que o urso panda foi comer de lanche ? Bambu ?
O dragão atacou, eles desviaram uma pra cada lado enquanto
Leo dizia:
- Droga ! Cocô fedido ! Privada sem tampa ! O que a gente
faz agora ?!
- Por algum momento passou por sua cabecinha pequena... –
Começou Alexia. – Que temos de usar a arma que o Urso Panda viciado em fast
food nos deu ?
- Não sei como usa...
- Jogue pra cá...
Ele jogou e a arma passou lentamente por cima do dragão,
quero dizer, muito lenta, quando digo lenta quero dizer lentamente e...
Em torno de três horas depois...
Então chegou lenta pra caramba para as mãos de Alexia, ela
disse:
- Ok, vou atirar, só tenho de saber como...
- Desista, você nunca vai descobrir...
- É só puxar o gatilho vermelho preso em cima da arma... –
Disse o dragão, em seguida os dois olharam ao pobre garoto e riram... –
Desculpa, não resisti...
- Tudo bem, desculpe dragão mas vou ter de te matar rápido e
sem dor, porém lentamente e agonizante... – Ela sorriu e disse... – Então lá vamos nós...
- Não, pare... – Implorou o dragão... – Eu não fiz nada de
errado...
- Então por que está sendo perseguido pela P.U.M ? – Leo perguntou.
– Só vilões são perseguidos pela P.U.M...
- Ah, bem, é que, bem... Vou falar a verdade, eu estava
destruindo escolas... Nada de muito ruim...
- O QUE ? – Disse Alexia... – ISSO É ERRADO...
- Ah, não é não !
- Gostei dele... – Completou Leo. – Ele é muito justo...
- Escolas nasceram para serem destruídas...
- NÃO ! – Alexia gritou. – Você vai ser destruído...
- NÃOOOOO ! – Leo gritou se colocando na frente dele. – Não
dá pra deixar ele ir embora com uma advertência ?
- Tudo bem... Vou deixar...
- Iupi...
O dragão saiu andando (ou flutuando) dando tchau pros novos
amigos e agradecendo sua chance de viver, ele planejava viver a nova vida,
parar de destruir escolas e estudar nelas, se tornando um bom dragão, orgulho
da família, e claro, dar um abraço em sua mãe, dizer a garota que ele gostava
que a ama, voar em lugares incríveis, viajar mais, arranjar um emprego e
realizar seu sonho de ser músico, isso é claro se quando ele não tivesse virado
as costas Alexia tivesse dado um tiro nele o explodindo, para desespero de Leo:
- Por que você fez isso ?
- Ah, ele ia voltar a
destruir escolas, estava em seus olhos...
- PRECISAVA EXPLODIR O COITADO ?
- Eu não vi outro jeito...
- PEDE DESCULPAS AGORA...
- Desculpe...
- Ah, tudo bem, não gostava dele mesmo...
- Sério ? Vocês pareciam tão amigos...
- Não gostava do jeito que ele pronunciava a palavra
escola...
Então assim eles se abraçaram e apareceu o panda gordo
(agora mais gordo devido o lanche) e perguntou:
- Cuidaram do probleminha ?
- Sim, ele está morto...
- COMOÉQUEÉ ? – O panda gritou. – Não era pra matar ele, era
pra bater nele com o cano da arma pra imobilizar...
- Devia ter pensado nisso antes de entregar uma arma de
destruição em massa a uma criança... – Disse Alexia apertando o botão rosa
pressionando o botão rosa. – Tchauzinho... – E os dois voltaram de onde saíram...
O lugar permanecia o mesmo e parecia o mesmo horário, eles
estranharam, era um tipo de nárnia sem guarda roupa, tipo, com o pessoal saindo
do armário e estando o mesmo horário ? Leo disse com raiva:
- Primeiro vamos achar aquele porco psicopata, devolver esse
troço pra ele e dar uma surra...
- Psicoporco... – Alexia disse brincando, mas ao ver que Leo
não riu ela respondeu. – Sim, vamos lhe dar uma surra...
Eles se aproximaram de onde seu pai trabalhava, que estava
ao lado do chiqueiro e nenhum sinal do senhor porco, Alexia perguntou:
- Pai, cadê o porco que deixamos aqui mais cedo ?
- Aquele gordinho ? Virou bacon...
FIM !!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário